Sócrates (século V a. C.): “A nossa juventude ama o luxo, é mal-educada, zomba da autoridade e não tem nenhuma espécie de respeito pelos velhos. As crianças de hoje são tiranas. Não se levantam quando um velho entra numa sala, respondem a seus pais e são simplesmente más”.
Hesíodo (século VIII a. C.): “Não tenho nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje toma o mando amanhã, porque esta juventude é insuportável, sem moderação. Simplesmente terrível.”
Que pensar destas afirmações? Surpreendido com os autores? Espantado com a época histórica? Ou, talvez se sinta tentado a subscrever as teses de Sócrates e Hesíodo porque lhes reconhece pertinência e actualidade…
Situemos, então, o problema aqui presente. O eterno conflito de gerações e a possibilidade de educar. Problema tão antigo quanto a própria humanidade e que continua a fazer correr rios de tinta. A origem etimológica do termo “educar” remete-nos para a ideia de orientação, caminho, itinerário que nos conduzirá a algum lado. Educar não é uma tarefa fácil (há quem a considere mesmo impossível), pois implica contrariar a natureza, os instintos e a ignorância. A resistência é, por isso, o primeiro obstáculo a vencer. Mas, no momento em que tal acontece são criados laços que podem durar uma vida.
“Que futuro para a educação” é o tema-problema da edição deste ano do Parlamento de Jovens. A referência ao futuro transporta várias ideias, não só uma reflexão acerca do caminho percorrido até ao momento, mas, principalmente, o que devemos fazer para possuirmos uma educação de verdade.
É certo que o “aqui e agora” não é muito animador. Pais, professores e alunos têm os seus momentos de desencanto, receio e impotência. Há que assumir esses momentos de desânimo e conscientemente procurar interpretá-los. E de tal exercício poderá resultar a ideia de que “cruzar os braços” ou “ficar à sombra da bananeira” não se afiguram como soluções credíveis. Então, nesse momento seremos capazes de perceber qual é o nosso dever – educar para o optimismo e para a felicidade. E este será um verdadeiro acto de coragem.
Por fim, felicito todos os meus alunos que demonstram já, de forma bem vincada, o espírito crítico, a coragem, a persistência e a humildade essenciais à vida em democracia. Nos momentos mais difíceis desta profissão (tão sujeita a quebras psicológicas) é neles que penso e são eles que me dão alento para prosseguir nesta difícil tarefa de educar.
Dr.ª Fernanda Botelho, docente de Filosofia na Escola Secundária Camilo Castelo Branco de Vila Real